O polinizador de culturas

Transeunte vivia viajando. Nascera em alguma cidadezinha da Palestina e dedicou-se, desde os 30 anos, a viver em eterno exílio. Andou pela África, Ásia e Europa aprendendo com as diferentes culturas e contando o que vivera em outros lugares. Era como um beija-flor, seu trabalho era polinar culturas.

Esse desejo de viver sem lugar para reclinar a cabeça estava em Transeunte desde sua infância. Ele se interessava muito em saber o que movia as pessoas, o que as fazia sair da cama toda manhã.

Desde cedo, Transeunte ficava bravo quando alguém tentava impor sobre o outro aquilo que era o sentido de sua vida. Segundo ele, cada pessoa precisa (re)descobrir continuamente o sentido de sua vida, e a causa de todos os males é viver sem saber por quê.

Então, aos 30 anos, Transeunte decidiu largar sua família e viver pelo mundo, descobrindo o que movia as pessoas.

Não era raro perguntarem:

— Por que você vive viajando?

Transeunte respondia, brincando com as palavras:

— Busco o sentido da vida.

— E já o encontrou?

Ao que ele arrematava com uma resposta ao mesmo tempo gentil e silenciadora:

— Não. Mas, sinceramente, se eu encontrasse o sentido da vida, seria obrigado a parar de viajar. E andar sem rumo é a melhor coisa que já fiz.

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