O homem que não sabia quem era

O homem caminhava pela calçada quando percebeu que não sabia quem era. O desespero tomou conta de seu corpo. Estava trêmulo e não tinha forças sequer para ficar em pé.

Caiu.

Acorda em um hospital e logo um enfermeiro lhe importuna: “Está se sentindo melhor?”

Ele acena negativamente com a cabeça.

O enfermeiro continua: “Você não estava carregando nenhum documento”, fez um breve silêncio, “Quem é você? O que aconteceu?”

“Não sei.”

A resposta deixa o enfermeiro sem jeito. Que homem é esse que não sabe quem é? Talvez seja apenas um louco.

“Tem familiares ou amigos por aqui?”, pergunta o enfermeiro.

“Não.”

“No que trabalha?”

“Em nada.”

O enfermeiro fica ainda mais instigado.

Percebendo o estranhamento do enfermeiro, o homem então conta sua história: “Vivo pelas ruas vendendo artesanato. Sentia-me bem assim. Em cada parte da cidade me davam um nome, nunca me apeguei a nenhum deles. Até que decidi visitar este lugar que não conheço. Quando percebi que não tinha nome, não tinha ninguém para dizer quem sou, passei mal e caí.”

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