O mistério da encarnação

Por uma cristologia poética

Quem é Jesus Cristo? Esta é a pergunta chave em nossos dias. Não perguntamos quem foi o Jesus do passado, mas o impacto que as narrativas de Jesus de Nazaré têm sobre nós hoje. Perguntamos por Cristo de um ponto de partida poético: quais as novas possibilidades de beleza ele cria?

Nos evangelhos, vemos Jesus como um ser humano totalmente aberto ao divino. Como diz Leonardo Boff, “humano assim só podia ser Deus mesmo”. Esse Jesus Cristo, totalmente humano e totalmente divino, subverte toda a lógica humana. Diz que o maior é o menor, que o pouco vale mais que o muito, e abre mão de toda sua glória e poder para ser fraco e desprezado.

Essa história destrói os mitos elitistas. Ela ensina que a beleza não está reservada à “alta cultura”. O mistério da encarnação aponta para a ideia de que a beleza — o divino — inunda o comum.

A antiga divisão entre o sagrado e o profano é derrubada. Deus habita seres humanos — inclusive e principalmente os oprimidos — e os move com seu Vento a uma Nova Realidade de beleza, paz e justiça.

Quando um ser humano se abre ao sopro divino que o habita, sua vida se transforma. Ele se torna pacífico, amável e sensível. Imita o Cristo, abrindo mão de tudo que tem em defesa daqueles que sofrem.

Porém, o poder religioso não aprova a leveza poética do Espírito. Pois ser tomado pelo Vento Divino leva as pessoas a um novo jeito de viver, quebrando muitas vezes as normas eclesiásticas.

A encarnação, portanto, não se resume ao passado. As escrituras cristãs dizem que o Cristo existe desde o princípio e que ele está presente nas pessoas e no próprio universo. Cristo não é uma figura do passado, é transhistórico e Cósmico. Ele nos chama à segui-lo, a sermos leves para que seu vento los leve.

Anúncios