Divagações sobre um banco amarelo

Banco amarelo        O amarelo parece ser uma cor fora do comum, além da lógica das cores do universo. Parece ser um bônus à existência.

Imagino aquela velha noção de Deus-arquiteto criando o universo. Ele cria o mundo com todas as outras cores, mas então decide dar um presente à humanidade: uma cor desnecessária, para alegrar os olhos humanos e enriquecer sua experiência.

Todo esse devaneio veio do fato de ter visto e fotografado os bancos amarelos da praça em frente à minha casa. Alguém, desatento aos mistérios divinos, poderia dizer que é só um banco e que eu não deveria gastar o tempo de ninguém ao ler este texto.

Porém, um banco não é só um banco. Nada é apenas matéria. Tudo também é sentido. “A letra mata, o espírito vivifica”.

Um banco é também um milhão de histórias, desde sua formação e colocação na praça até as mais diversas pessoas que se sentaram nele, brigando, chorando, conversando ou em silêncio reverente.

Eu mesmo sou uma fração da história desses bancos. Ao contemplá-los e agraciar-me com o vento frio no rosto, delirei com sua cor amarelada.

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