A crise de Israel e a busca por justiça

O antigo Israel era uma sociedade baseada em famílias de agricultores. As propriedades eram iguais, pois a terra era direito de todos. Não havia instituições políticas organizadas. As relações eram baseadas na solidariedade e ajuda mútua.

A partir do século 8 aEC, porém, a terra passou a se concentrar nas mãos de poucos. Dívidas levaram as pessoas mais fracas a entregarem suas posses e os membros da família como escravos. Assim, Israel se tornou uma sociedade de classes, onde os ricos oprimiam os mais fracos. Contra esse Israel injusto, que não protegia os pobres e os estrangeiros, os profetas levantaram continuamente sua voz. Para eles, o desenvolvimento deveria ser baseado na justiça e no acolhimento ao Outro.

Dando um salto de quase trinta séculos, a situação não é muito diferente. Os índios brasileiros viviam em harmonia com a terra, num estilo de vida sustentável. Porém, suas terras foram quase todas roubadas e as poucas que sobraram também estão sendo tiradas. Eles são violentados e mortos, enquanto os governos fingem não acontecer nada. A mesma situação acontece com as multidões de exilados.

A triste ironia nessa história é que, enquanto os profetas bíblicos arriscavam suas vidas em defesa dos estrangeiros e dos trabalhadores, da justiça social e de uma sociedade igualitária, muita gente hoje se utiliza do mesmo livro para excluir aquelas e aqueles que os profetas acolhiam.

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