Um novo monasticismo

O monge é um leigo… Uma ordem de monges é essencialmente uma ordem leiga. Alguns monges podem viver em mosteiros, mas cada vez mais a maioria vai viver em suas próprias casas ou formar pequenas comunidades — uma ordem monástica no mundo. ~Bede Griffiths

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O movimento monástico surgiu como resistência ao cristianismo que havia se aliado ao Estado. Foi uma forma de manter viva a espiritualidade de Jesus: simples, contemplativa e serva do povo sofrido. Desde então, ele tem sido inspiração a muitas cristãs e cristãos, que desejam viver o evangelho em toda sua radicalidade.

Em nossos dias, há um renovado interesse no monasticismo. Muitas pessoas têm percebido que uma fé reduzida a ideias, sem prática e devoção é insuficiente. Isso pode ser visto no movimento neomonástico e em tentativas de incrementar o monasticismo à vida moderna como a sugerida no Manifesto Monge. A redescoberta do monasticismo pode ser algo muito positivo na construção de uma uma religião mais aberta, uma espiritualidade mais profunda e um modo sustentável de vida.

Porém, não basta voltar ao monasticismo. É preciso, a partir dele, pensar um novo modo de disciplina e vida em comunidade. Descrevo aqui algumas ideias para repensar o monasticismo.

        Abraçar o mundo

Ao contrário do monasticismo tradicional, que nega o mundo em favor de uma realidade imaterial, precisamos de um monasticismo preocupado com a vida concreta e com a conservação do planeta. Um certo nível de ascetismo é saudável e necessário, mas a importância do mundo precisa ser ressaltada.

        ContemplAção

Retirar-se do mundo para viver em silêncio não muda significativamente o modo como a maioria das pessoas vive sua vida. É preciso que a vida contemplativa inspire a vida de ativismo, em defesa dos oprimidos e do planeta e que o ativismo inspire as práticas contemplativas.

        Viver junto

Uma preciosa lição do monasticismo, copiada das comunidades epicureias, é a vida em comunidade. Isso, em nossa era de individualismo, é subversivo. Viver junto é mais saudável, econômico e ajuda a desenvolver a espiritualidade e a compaixão.

        Simplicidade

O monasticismo tradicional nos ensina a importância daquilo que objetos não podem conter. De forma semelhante, um novo monasticismo precisa reforçar a necessidade de coisas que o dinheiro não pode adquirir (amizade, espiritualidade, etc.). Nossos bens não podem ser os fins de nossa vida, apenas meios para o bem viver nosso e de todo o mundo.

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