Quando ouvi a voz de Deus

Beto era um pastor famoso, dono de mansões e monopolizador de igrejas. Aos domingos, pregava milagres e sucesso instantâneo. E no resto da semana, ninguém sabia o que Beto fazia.

Num desses dias, ele ia para um motel com sua amante favorita. Bêbado, ele bateu o carro. O acidente destruiu seu carro de luxo e ela faleceu.

O pastor milionário não sabia mais o que fazer da vida. Não tinha condições emocionais de aparecer em público. Abandonou sua mansão e foi morar na rua.

Após uma, duas, várias noites de choro e muitas garrafas de pinga, Beto começou a notar pessoas a sua volta. Havia ali moradores de rua como ele, que provavelmente também viram-se na beira de um abismo.

Pela primeira vez em dias, ele falou. E fez, pela primeira na vida, algo que muitos morrem sem fazer: ouviu. Em vários rostos diferentes, Beto descobriu o Cristo que tanto pregara. Não o Cristo Rei, que promete prosperidade e plena satisfação, mas o Cristo Pobre, que abriu mão de tudo para viver entre a gente excluída.

Após encontrar-se com Cristo, Beto parou de desejar as alturas. Libertou-se do vício no álcool, tirou os sapatos e decidiu viver com os fragmentos divinos que a providência lhe deu a graça de contemplar.

O nome de Beto sumiu das televisões e outdoors. Apareceu escrito no Livro da Vida.

Christ-in-the-Breadlines

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