O homem que era todos nós

Ele era como todo mundo: pensava demais, tinha opiniões demais, falava demais e machucava demais.

Porém, surgiu nele um desejo forte de largar tudo, seu bom salário, casa grande, carro do ano, e viver viajando.

Após anos pensando que seu sonho era impossível, não aguentou mais. Pediu demissão, vendeu tudo o que tinha e planejou sua primeira viagem.

Ao chegar a seu destino, estranhou totalmente o jeito de viver do povo. Com certeza esse sonho de viver viajando era absurdo, pensou.

Os dias se passaram e, aos poucos, ele passou a apreciar a comida diferente, encontrou beleza na cultura local e percebeu que seu estranhamento não passava de preconceito.

Com a confirmação de que seu desejo era realmente ser um nômade, conhecendo o mundo, ele viajou para muitos outros lugares e descobriu aquilo que não está escrito nos livros.

Juntando os pedacinhos de cada cultura humana do planeta e abandonando seus cacos de violência, ele se tornou a marca perfeita da humanidade.

Ele era todos nós: desaprendeu tudo que sabia, escutava com atenção e acolhia com carinho todos a quem encontrava.

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