Educação como ferramenta para o bem viver

Em nossa linguagem cotidiana, educação é um doloroso processo escolar, linear, restrito a um modelo fixo e conteudista. Educação, para nós, é sinônimo de escola.

Diferentemente dessa noção desgastada, os textos clássicos da Bíblia propõem um outro paradigma de educação.

Enquanto a educação escolar objetiva ensinar os conteúdos por crê-los valiosos em si mesmos ou para que os alunos sejam aprovados em exames, a Bíblia apresenta a educação como ferramenta fundamental no desenvolvimento individual e comunitário.

Para o povo bíblico, a educação é cíclica, horizontal e tem como objetivo o bem viver.

O bem viver é mais do que o bem estar, mais do que possuir objetos como carros e eletrônicos, e mais do que conforto físico. Bem viver é aprender a relacionar-se harmoniosamente consigo mesmo e com o mundo.

Nós precisamos, assim como faziam os judeus, retomar a ideia de educação como meio para a vida. Mas como fazer isso, como educar para o bem viver?

Primeiro, é preciso ajudar o indivíduo a olhar para dentro de si, tirando as distrações (ativismo, consumismo, etc.) que o impedem de olhar no espelho. O indivíduo deve aceitar as ambiguidades e complexidades inerentes da vida, indo além do binarismo que tanto machuca a comunidade contemporânea.

Segundo, é preciso ajudar o indivíduo a olhar para o outro, silenciando os seus julgamentos e preconceitos, para escutá-lo compassivamente.

Terceiro, é preciso ajudar outras pessoas em suas próprias caminhadas rumo ao bem viver e ao bem estar. O povo judeu entendia que paz e prosperidade não acontecem quando um indivíduo está feliz, mas só pode ter lugar quando ninguém passa necessidade e todos estão bem. Um cuidado necessário: o papel do ser humano, enquanto amigo e cuidador, não é de fazê-lo igual a si, mas é semelhante ao trabalho de uma parteira. Ela não dá a luz nem cria a criança, mas está ali para ajudar o nascimento e desenvolvimento da vida. De maneira semelhante, uma pessoa deve cultivar o desenvolvimento da outra, em alegre expectativa pelo que ela se tornará.

Os três passos — aceitar as próprias ambiguidades, aceitar o outro em sua alteridade e ajudar os outros — são processos concomitantes e infinitos. Nós nunca chegaremos “lá”, estaremos sempre em necessidade de criticar e reformar a nós mesmos.

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