Confissão de fé

Jesus, Ceia, ALEstive pensando em escrever por que sou cristão. Mas tenho duas fortíssimas objeções a tal empresa. Primeiramente, nenhuma palavra consegue subsistir à força do espírito encarnado. Além disso, o Reino de Deus só pode ser o espaço onde ninguém é obrigado a se explicar.

Nós, seres humanos, não existimos por nós mesmos. Somos seres que só existem em relação com o cosmos e o transcendente (aquilo que está além). Nossa identidade não é sólida, imutável, mas está em constante construção.

Por isso, a Palavra de Deus não é um conjunto de palavras que descrevem a realidade (o que seria impossível), mas um ser humano — e todo ser humano é indescritível — levado por um vento que vai para onde quer.

Em vez de falar por que sou cristão, vou falar do próprio Jesus, a quem tento imitar. O que movia sua vida, como ele vivia e qual foi a sua missão.

Jesus dedicava-se totalmente a Deus, a quem ele chamava carinhosamente de “papai”. Ele vivia intensos e longos momentos de solitude, jejum, oração e silêncio.

O mestre dos pobres e marginalizados foi uma pessoa que doou-se completamente à humanidade. Ele abandonou sua identidade, seu conforto e sua santidade em favor do mundo.

Na vida de Jesus, a distinção entre servir a Deus e à humanidade foi totalmente apagada. Para Jesus, amar a Deus e amar as pessoas eram a mesma coisa.

Para as primeiras pessoas seduzidas pela persuasão de Jesus, este era claramente um ser humano totalmente aberto a Deus e Deus totalmente aberto à humanidade. Essas mesmas pessoas viam em Jesus o projeto divino de reconciliar a humanidade, queimando todas as cercas que a dividem. Jesus Cristo fora enviado pelo Pai para essa missão, e aqueles que, como ele, decidiram viver em total abertura a Deus e à humanidade, são enviados por Jesus e impulsionados pelo Espírito Santo para participar da missão divina de espalhar reconciliação e igualdade.

O Nazareno viveu e morreu para gesticular um novo mundo, o Reino de Deus, onde o que importa não é estar certo, mas viver em paz e comunhão, numa mesa farta e amiga, com toda a humanidade.

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Um pensamento sobre “Confissão de fé

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