O capitalismo e o tempo

Pelo menos na minha cabeça, o mundo mudou totalmente da década passada para esta. Vejo fotos timbradas com um “2009” e penso: “que mundo radicalmente diferente era aquele”. Transformei-me num saudosista de um passado extremamente recente.

Talvez isso seja pela minha tenra idade, pela saída da adolescência e entrada na vida adulta. Talvez. Mas penso que há algo mais. Parece-me que todo mundo considera 2009 como um passado extremamente distante. O capitalismo, com suas constantes revoluções, transformou o modo como nos relacionamos com o tempo.

1. Negação da tradição e da perenidade

Em primeiro lugar, o capitalismo nega a tradição e a possibilidade da perenidade. O que você tem que desejar, afirmam os comerciais, é este mais novo produto. Para ser recebido na sociedade capitalista, o indivíduo não deve valorizar a comunidade e a história, mas destacar-se como superior, negando assim qualquer possibilidade de construção conjunta de alternativas.

2. Negação do futuro e da esperança de um mundo diferente

E aqui entra a segunda canalhice do capitalismo em relação ao tempo: ele nega a possibilidade de um futuro diferente de si (é o fim da história, como disse corretamente Fukuyama). O capitalismo nada mais é do que uma constante revolução cíclica, criando rupturas estrondosas a cada segundo (“Só mudou uma coisa. Tudo.”), sem na verdade fazer nada de realmente novo. O capitalismo nega o futuro porque se enxerga como um milênio, como a escatologia já consumada.

3. Negação da futilidade

O capitalismo é, em poucas palavras, a idolatria da utilidade, da produtividade. Foi assim que o capitalismo assassinou silenciosamente as formas tradicionais de religião e, como afirmou G.K. Chesterton, ele destruiu a família. O capitalismo reduz o ser humano à produtividade e reduz as relações à troca mediada pelo dinheiro, negando qualquer possibilidade criativa, emotiva, ética e espiritual.

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