Exercício, corpo e espiritualidade

Sempre que posso saio à noite para andar de bicicleta. A experiência de prestar atenção no próprio corpo através do movimento, embora não chame a atenção de muita gente, dá-me plenitude, satisfação e alegria.

Andar de bicicleta é para mim um momento de oração silenciosa, de notar os ritmos de meu corpo e o mundo à minha volta. João Calvino, no começo de suas Instituições da Religião Cristã, escreveu que o conhecimento de si mesmo e de Deus “se entrelaçam com muitos elos”.

Por mais que a igreja há muito tempo tenha desconsiderado a importância do corpo, este é central para a espiritualidade cristã. Se Deus se fez corpo, quem somos nós para negligenciá-lo?

Encarnar a fé cristã é a única forma de mostrar sua relevância e responder o mundo contemporâneo. Em um mundo onde a aparência é o que conta, ser corpo, ser o que somos embaixo de qualquer máscara, é redentor.

É necessário recuperar o sentido positivo de ascetismo. Este não é a negação do corpo e seus prazeres, mas justamente o contrário: sua valorização. A insensibilidade moderna com sua busca por prazeres instantâneos, eliminou a possibilidade de exercitar o próprio corpo e, com isso, removeu uma possibilidade de maior conhecimento de si mesmo e até de aprender a aproveitar a vida. Ascetismo é a capacidade de dizer não às nossas vontades, para centrar-nos em Deus. É eliminar as distrações, para não perder de vista a grandeza divina.

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