Natal: o amor que transborda da eternidade para o tempo

Rembrandt - The Nativity (1646)

Apesar de possuirmos histórias de vida muito diferentes, é verdade que a história do Natal encanta a todos nós. Sua singela grandeza nos move a contemplarmos o mistério da vida.

A história do Natal nos mostra que Deus, a realidade última do universo, não está distante de nós, sentado num trono, ditando as regras e punindo insensivelmente aqueles que transgridem. O Natal nos faz contemplar “Deus revelando a profundidade da vida divina”, transbordando um amor que brota “da eternidade para a história”. No Natal, vemos com clareza que “a própria natureza de Deus é compartilhar a vida” e que “não há nada de Deus que não seja compartilhado, que não seja doado.” (Rowan Williams)

Ao nos mostrar Deus entrando na história humana, o Natal nos dá esperança. Nos mostra que apesar da maldade e do sofrimento que somos capazes de perpetrar, “a humanidade não é uma causa perdida”. Nós somos hóspedes da graça e do amor divinos — hospitalidade que relembramos continuamente na Eucaristia (Rowan Williams).

A história do Natal é um evento que se concretiza a cada momento e alcançou sua plenitude na ressurreição de Jesus, em que a sutileza, a suavidade, a compaixão e a simplicidade triunfam sobre a força e a ostentação do poder.

Deus veio ao nosso encontro. Essa é a mensagem do Natal, evento que nos desafia à virtude de não tentar conquistar as coisas pela força, mas aceitar com gratidão a graça da vida. O nascimento de Jesus nos convida a confiar que Deus nos conhece antes mesmo de nós o conhecermos; nos escolhe para viver uma vida diferente daquilo que a sociedade exige, uma vida única e autêntica; e nos entrega ao mundo, para espalhar a Nova Realidade, a Nova Vida, baseada na simplicidade e no amor (Eugene Peterson).

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Inspirações

Eugene Peterson. Corra com os cavalos.
Rowan Williams. A Good Christmas.
Thomas Schenk – The Tao of Christmas.

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